A Reconstrução do Tarot de Marselha

Uma explicação de Alejandro Jodorowsky

Após ter estudado durante mais de quarenta anos, encontrei, em Paris, Philippe Camoin, sendo ele um descendente directo da família Camoin, último tipógrafo de Marselha do Tarot de Marselha. A origem do fabrico data de 1760: foi criada por Nicolas Conver, que continua a imprimir o mais célebre Tarot de Marselha, o Tarot de Marselha de Nicolas Conver (reeditado em 1970 pela casa Camoin).

Logo após o nosso primeiro encontro, decidimos trabalhar juntos na reconstrução do Tarot de Marselha tal como o era originalmente. Com factos secretos relativos à sua história, à sua elaboração, à sua tradição e ao seu simbolismo, e pranchetas de impressão originais, éramos os únicos a poder reconstruir o Tarot de Marselha original. Estudámos e comparámos por computador inúmeras versões do Tarot de Marselha, entre as quais o Tarot de Nicolas de Conver, o de Dodal, o de François Tourcaty, o de Fautrier, o de Jean-Pierre Payen, o de Suzanne Bernardin, o de Besançon de Lequart, etc.

A dificuldade de um tal trabalho reside no facto de que o Tarot de Marselha é composto por símbolos estreitamente intrincados e ligados entre si; se modificamos um único traço, é todo o edifício que desaba. Portanto, é necessário estar plenamente consciente do plano e da intenção real dos seus criadores para realizar um tal trabalho sem perigo.

No século XVII, existia um grande número de tipógrafos do Tarot de Marselha. Os jogos de Tarot do século XVII são cópias desse Tarot de Marselha; assim, não se poderá supor que um Tarot do século XVIII é o Tarot original. Logo, é fácil aceitar que até o Tarot de Nicolas Conver de 1760 contém erros e omissões. Portanto, onde é que passaram todos os jogos do século XVII?

Se não temos mais nenhum sinal, é simplesmente porque as pessoas desta época reutilizavam as cartas velhas para fazer cartões de visita.

Se, originalmente, os desenhos do Tarot eram pintados à mão, os mesmos foram de seguida produzidos em grande quantidade com métodos diferentes mediante as épocas. Cada método novo traz os seus próprios limites quanto à riqueza dos traços e ao número de cores utilizadas.

Assim, o método de coloração na prancheta não permitia uma grande exactidão e, sobretudo, impunha um número relativamente limitado de cores. Um jogo fabricado por um rei era muito mais rico em cores do que um jogo fabricado para o grande público. O número de cores utilizadas era também limitado quando as máquinas industriais fizeram o seu aparecimento nas tipografias no século XIX.

O facto de numerosos exemplares do Tarot de Marselha terem sido impressos por tipografias diferentes, e em diferentes épocas, com uma tal semelhança, prova que existia um canhão comum original. Segundo os tipógrafos, os traços e as cores foram reproduzidos com maior ou menor fidelidade. Os tipógrafos que não eram de forma alguma iniciados ao simbolismo simplificaram o canhão de origem ao extremo. Aqueles que os copiaram, acrescentaram ainda erros aos erros. Quando estudámos todos os Tarots que chegaram até nós, demo-nos conta de que alguns deles eram apenas cópias de um Tarot mais antigo. Assim, é possível encontrar erros evidentes copiados de um Tarot para o outro mais recente, sendo a prova que este último é apenas um fraco clone do anterior. Portanto, convém não lhe atribuir um valor esotérico que não possui.

Pelo contrário, certos Tarots têm traçados absolutamente idênticos e passíveis de sobreposição, e portanto cada um possui símbolos esotéricos autênticos no seu justo lugar que não aparecem nos outros. Neste caso, não se trata de clonagem entre si: pelo contrário, poder-se-á deduzir que estes Tarots similares foram copiados a partir de um Tarot mais antigo que desapareceu efectivamente. É este Tarot de origem que queríamos reconstruir e restituir dos apaixonados do Tarot.

Até agora, o jogo de cartas que se aproximava mais deste ideal era o Tarot de Paul Marteau. No entanto, no que diz respeito aos traçados, é a cópia exacta do Tarot de Besançon, editado no fim do século XIX, que por sua vez também reproduz um outro Tarot de Besançon, editado por Lequart e assinado “Arnoult 1748”, como mostra a sobreposição destes três jogos por computador.

Se as cores utilizadas nas sucessivas edições do Tarot de Nicolas Conver respeitam bastante bem as cores da Tradição, uma edição de 1880 do Tarot de Nicolas Conver de 1760 utiliza cores que nada têm a ver com a dita Tradição. Ora, são as cores desta edição que foram retomadas por Paul Marteau. Estas cores foram, sem dúvida, aconselhadas na fábrica Conver (que se tornou a fábrica Camoin) por alguém que era mais orientado para a Psicologia do que para o Simbolismo; as mesmas não são aquelas escolhidas pelos iniciados que transmitiram o Tarot de Marselha na origem, e representam portanto uma intrusão na transmissão do saber iniciático. Apesar da interpretação destas cores poder tornar-se interessante para um principiante ou um psicólogo, ela provoca conflitos no espírito do discípulo e será finalmente afastado pelo principiante.

Por estas razões tive, rendendo-me à evidência, de fazer um enorme esforço para abandonar mais de quarenta anos de trabalho de memorização do Tarot de Paul Marteau e aceitar, apesar da minha dor, a Verdade Tradicional.

As novas tecnologias de impressão por computador permitiram-nos dar aos traços e às cores do Tarot de Marselha uma exactidão nunca alcançada até agora.

Alejandro JODOROWSKY









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